Friday, November 17, 2006

"Você é foda."

Ela desligou o telefone. Agora, a vitória na queda de braço era minha. A luta se estendeu pelos meses e anos seguintes, e vez ou outra um proclamava a vitória. Campeonato de pontos corridos.
No mata-mata que importava, eu havia tomado um baile. Engoli o coração e disparei absurdos que não se disparam à toa. Mas eu tinha que disparar. Estava ali uma quebra de contrato, um rompimento. E eu era o presidente do clube traído. Queria meu craque de volta. Para a Europa?
"É. Casa comigo e a gente vai. Eu parto em fevereiro."
A idéia era absurda, já que eu havia pisado no Velho Continente havia meses, e não sentia falta. Quer dizer, sentia sim. Duas partes estavam em outra órbita. Uma eu havia reencontrado; a outra, seguia distante. A decisão era juntar esses dois pedaços. Mas eu não quis. A liberdade de escolher naquela hora era minha.
Toca o telefone no cinema. Um minuto para a sessão – os dedos em fila já eram exibidos no telão.
"Estou de volta. Quero te ver. Vamos?"
Aquele era o primeiro filme depois de meses gastos em frente a um terminal, redigindo títulos e perdendo a paciência. O tempo me deu olheiras, e lá estava eu acabado. Da sala parti para o encontro. Em um apartamento metros acima da festa da firma, que eu chamo de elevador. Tive de pegar um para descer onde eu queria. Mal eu sai e lá estava ela. Conversa rápida, dois ou três minutos. Toca para a festa da firma.
"Me empresta a comanda?" Sim, mas onde ela está? Os dois bêbados e perdidos naquela noite suja deixaram a comanda voar. A taxa era salgada, mas uma boa negociação rendeu um ótimo resultado: pagamos menos do que consumimos. Eu queria a liberdade bêbada, mas ela já estava no táxi com outro. Tive de ir para o metrô e me contentar em repartir a solidão com 300 no vagão.
De lá para cá, foi só mais um e-mail e outro pedido de casamento, agora de brincadeira. Tem quem ache que a história não fechou, mas estou um pouco cheio de suas brincadeiras.
As da história, não as dela.

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